sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Da motivação para o título.

O Dicionário Houaiss, bíblia de todo bom estudante de Letras, diz que retórica é, entre outras coisas, a "arte da eloqüência, de bem argumentar, a arte da palavra" e o "emprego de procedimentos enfáticos e pomposos para persuadir ou por algo em discussão".

Bem, tendo isso em mente e considerando-se os fatos de que nenhum texto é desprovido de características retóricas [por mínimas que sejam] e de que um blogueiro é sempre inerentemente retórico, o título deste blog não tem nada, absolutamente nada de criativo ou original. O óbvio ululante nunca é criativo ou original.

Quando se faz um blog, é interessante ir se pensando logo de cara que o motivo para que ele exista é algo em torno da necessidade do ego escritor mostrar o quanto pode ser retórico. Mas embora seja verdadeiro e interessante, esse pensamento parece ser... camuflado, esquecido. Ignorado, até. Isso não é muito nobre. A verdade mesmo é que blogueiros gostam de achar que dominam a arte da palavra e se orgulham por usar procedimentos enfáticos pra persuadir de forma pomposa. E essa verdade é óbvia, sim, por mais que ninguém fale dela. Funciona como a obviedade do fato de não ser agradável ir ao ginecologista.

Não deve ser entendido com isso, contudo, que a motivação do título foi tornar nobre a blogueira aqui. A intenção resultou de nada mais que uma necessidade de colocar as cartas na mesma desde já. Deixar tudo claro antes do começo do jogo tanto para mim quanto para as moscas leitoras. Quem escreve só porque escreve [em outras palavras, quem escreve sem ser pago por isso, só pelo prazer do escrever] quer mesmo é exercitar sua capacidade retórica e ficar com orgulho disso. Isso tudo, no final, não passa de retórica boba pra boi dormir.

4 comentários:

Lucas Petes disse...

é, galvão, concordo com você. o time que faz mais gols vence a partida!

Jean Prestes disse...

desde o início ficam claras as características da nova fase bloguística de Paloma Saraiva:

transparência;
metalinguagem;
e (pasmem!) um público-alvo totalmente novo: os insetos!

e é só o começo! :D

Marina.' disse...

Tirando que eu (ou não) que só confundo as palavras...

Marina. disse...

Tá vendo? Ignore esse primeiro "que". ¬¬