Eu tenho uma teoria. Não, não, na verdade é uma alegoria. Talvez uma teoria alegórica... é, é isso mesmo: uma teoria alegórica. Ela se consiste e se resume na seguinte assertiva: "Rock é árvore".Já prestou atenção na quantidade de árvores que existem no mundo? No tanto de espécies diferentes delas? Na quantidade de formatos e tamanhos e cores e texturas que elas, tanto entre espécies quanto dentro de uma única espécie, têm? Pois é, eu também. E já reparou que, ainda assim, sempre que você vê uma árvore, você consegue dizer que aquilo é uma árvore? Se estiverem na sua frente um arbusto, uma moita, uma trepadeira e uma árvore, você consegue diferenciar a árvore dos demais, mesmo que todos eles tenham folhas e sejam verdes e sésseis, não é? É óbvio que sim. Mas o fato não deixa de ser interessante.
Onde entra o rock nesta história? Vamos lá, eu mostro. Já prestou atenção na quantidade de rock que existe no mundo? No tanto de sub-estilos diferentes dele? Na quantidade de tempos e ritmos e inspirações e pesos que ele, tanto entre sub-estilos quanto dentro de um único sub-estilo, tem? Pois é, eu, novamente, também. E já reparou que, ainda assim, sempre que você ouve uma canção de rock, você consegue dizer que aquilo é rock? Se você ouvir em sequência uma canção blues, outra jazz, outra funk [como James Brown, não aquelas coisas cariocas] e outra rock, você consegue diferenciar o rock dos demais estilos, mesmo que todos eles tenham bateria, guitarra, contra-baixo e vocal, não é? É óbvio que sim. Mas o fato não deixa de ser novamente interessante.
Repare: quantos ipês amarelos você já viu na vida? Vários, suponho [ainda mais se você for mineiro]. Não houve um ou alguns que eram muito mais vistosos, muito mais bonitos de se ver do que outros? Afirmativo, certo? E você foi capaz de concluir isso mesmo que a espécie dos ipês amarelos fosse a sua preferida. Em outras palavras: mesmo se você gosta de todos os ipês amarelos, alguns exemplares da espécie são muito mais admiráveis. Agora repare mais uma vez: quantas bandas de indie rock você já ouviu na vida? Ou de rock progressivo, classic rock, não importa, escolha seu sub-estilo preferido. Escolhido? Continuemos. Quantas bandas desse sub-estilo você já ouviu? Várias, suponho. Não houve uma ou algumas que eram muito mais legais, muito mais "vistosas", muito mais agradáveis de se ouvir do que outras? E você foi capaz de concluir isso mesmo que o indie rock [ou o seu outro sub-estilo escolhido] fosse o seu preferido. Em outras palavras: mesmo se você gosta do estilo indie rock como um todo, algumas bandas desse estilo são muito mais admiráveis.
Vamos lá, é inegável a semelhança! Rock é árvore, meus amigos. É a alegoria mais funcional que eu já criei na vida! Rock é árvore, espécie é estilo, exemplar da espécie é banda. Folha verde é guitarra, fotossíntese é ritmo, tronco é bateria. Flor é uma espécie de pandeirola: alguns têm, alguns não. A altura e o tamanho das árvores são como o peso das canções: umas tem muito, outras nem tanto. Mas sempre que houver tais características, você vai poder chamar a canção de rock e a planta de árvore. E nem venha querer chamar arbusto de punk rock. Arbusto é, no máximo, um jazz meia boca.
Imagem retirada de uma camiseta da Nonsense.




